Por que a UFSC nega o seu DNA e proíbe a difusão do conhecimento?

Carta Aberta à Reitoria e ao Conselho Universitário da UFSC

João Vianney[1]

Sabe aquela sensação estranha, de quando você precisa dizer algo, mas que tem vontade de não falar, de tão incômodo que é? Sabe quando você sente vergonha pela atitude dos outros? Mas, que ao mesmo tempo, aquela atitude corrói a sua alma, quebra seus ossos, e lhe deixa à beira de uma depressão ou de um ataque de nervos?

Pois é assim que eu me sinto ao ver a Universidade Federal de Santa Catarina, a nossa querida UFSC, sem oferecer aulas e atividades online aos seus 40 mil alunos durante o período de portas fechadas por conta do Covid-19.

Eu, que devo à UFSC toda a minha vida profissional e formação educacional nos últimos 30 anos, e que amo a instituição, fico tomado pela vergonha. Aqui em Santa Catarina praticamente todas as instituições de ensino superior comunitárias ou privadas estão funcionando para garantir aos alunos o direito de estudar, e dando a eles energia para se engajar nos desafios e mudanças necessários.

I – Um voto de renúncia à liderança

Como não a UFSC? Por que não a UFSC? Por certo que ao ter a liderança acadêmica no Estado, por ter a liderança tecnológica, ter o DNA da inovação, e, principalmente, por ter sido a primeira dentre todas as IES brasileiras a trilhar o caminho da aprendizagem online, esperava-se em toda a sociedade brasileira que a UFSC viesse a liderar na educação online, dando as mãos e mostrando o caminho às demais universidades.

Porém, o que se vê são instituições com nenhuma trajetória ou experiência em educação online que resolveram seus desafios em uma semana e voltaram a funcionar online para conectar alunos e professores. Em sua totalidade são instituições onde o perfil socioeconômico dos alunos e professores é muito inferior ao dos membros da comunidade da UFSC nos quesitos de acesso às tecnologias necessárias para a conectividade.

E, mesmo assim, estas faculdades, centros universitários e universidades conseguiram dar a partida ou pegar no tranco para virar a chave do ensino presencial para uma educação conectada em no máximo uma semana. Em Rio do Sul, na UNIDAVI, foi em apenas 24 horas. Na Unisul, em três dias.

Na SATC, em Criciúma, fizeram a Migração Digital da Educação Infantil (com apoio das famílias), Fundamental I e II, Ensino Médio e Técnico, e até à Faculdade em uma semana. Para dar suporte às famílias de alunos bolsistas que não tinham dispositivos e meios próprios para conexão a SATC levou de casa em casa computadores que foram retirados de seus laboratórios fechados durante o Covid-19.

II – Quem menos tem, dá o exemplo e faz

O Pântano da Tristeza em relação à UFSC fica ainda mais profundo ao ver que no Estado do Maranhão, onde ter 35% dos alunos da Rede Estadual sem condições de acesso à internet não foi motivo para a Secretaria Estadual da Educação parar tudo e nada fazer. Pelo contrário, foi razão para que se desdobrassem de um em dois, de dois e quatro, de quatro em oito e assim por diante para suprir a cada dia mais e mais alunos conectados em direção à inclusão pela educação.

E, no limite da impossibilidade física da conexão digital, levar livros e apostilas de casa em casa, e de atender no tira-dúvidas com orientações de aprendizagem por telefone simples, tutoria agendada e reforço no retorno às aulas para quem necessitar. Desta forma os alunos excluídos digitalmente não ficaram apartados do processo de aprendizagem. Nenhum aluno ficou desconectado da porta para o futuro que é o caminho da educação.

Isso lá, no Maranhão, que é uma das Unidades da Federação mais despossuídas de meios tecnológicos de toda ordem para uma educação online. E a UFSC aqui, na Santa e Bela Catarina, no topo da pirâmide socioeconômica e de disponibilidade e inclusão tecnológica do Brasil, a UFSC parada no seu terceiro mês de nada fazer.

O Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina funciona com sessões de julgamento online, conectando advogados, magistrados e todos os agentes necessários para o Judiciário operar. O Cadastro Social do Governo Federal para fornecer auxílio financeiro às parcelas dos brasileiros mais despossuídos de renda durante o Covid-19 é feito online e somente via aplicativo.

O Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina puxou no bom exemplo e foi um dos primeiros no país a incentivar já em 19 de março (Resolução 9/2020), que as Instituições de Educação Básica e Superior do Sistema Estadual migrassem para o Ensino Remoto, possibilitando a continuidade do ano letivo. Com isso, escolas das redes públicas e privadas de SC reagiram positivamente, a despeito de condições infinitamente menores que a UFSC.

E, tudo isso sem contar que a UFSC é a universidade mãe do ecossistema de sucesso na inovação em tecnologia de todo o estado catarinense. Qual é o tamanho da brecha digital de alunos ou professores da UFSC, e que é a justificativa alegada para ela ficar paralisada? Que providências são necessárias para suprir, e que em quase três meses não foram sanadas?

É inadmissível tal paralisia para uma instituição de primeira linha, uma instituição de Classe Mundial. A UFSC está sempre no ranking das dez melhores universidades de ponta no Brasil. E sempre nos rankings mundiais entre as universidades brasileiras com desempenho destacado em inovação, pesquisa e desenvolvimento.

A mais conceituada de tradicional instituição superior pública de Portugal, a Universidade de Coimbra, conhecida no mundo todo por ser conservadora, virou a chave para o mundo digital dia 10 de março de 2020. Passou a dar aulas remotas para seus alunos. Estudantes que necessitam de condições especiais de acesso podem ir ao campus em sistema agendado com controle sanitário adequado para fazer provas de aplicação, por exemplo. Tudo funcionando.

Não cabem, também, alegações e postergação tendo por premissa a antiga suspeita sobre a qualidade da educação resultante da educação online. Desde o ano de 2007, quando o nosso colega Dilvo Ristoff então Diretor de Estatísticas do INEP, quebrou os microdados do ENADE mostrando que, naquela época, a prevalência de resultados positivos era para os alunos dos cursos a distância, que o preconceito foi por terra.

No ENADE 2018, e nos resultados do triênio do ciclo avaliativo, os indicadores do INEP mostram equivalência entre as notas obtidas dos alunos dos cursos presenciais e dos cursos a distância. No Conhecimento Específico, 41,77% para o Ensino Presencial x 41,77% na Educação a Distância (idêntico score). E, na formação Geral, 43,80% para a EaD x 44,51% para o Ensino Presencial. Empate técnico, portanto.

III – Do Vale do Silício… para o Vale do Silêncio

A marca e o reconhecimento que orgulham a UFSC Brasil e mundo afora foram construídas pela ação histórica e continuada em ter professores de excelência, alunos engajados, e forte tradição em parcerias tecnológicas com os setores público e privado para construir projetos aplicados a problemas reais.

Florianópolis, como cidade-sede da Universidade Federal de Santa Catarina, e beneficiária das pesquisas e formação de excelência em tecnologias digitais, é conhecida mundialmente como o Vale do Silício no Brasil. Graças à UFSC.

Como pôde agora no Covid-19 a UFSC ter renunciado ao seu DNA, e ter mergulhado no Vale do Silêncio? Eu, na minha reles condição individual, e de quem tudo deve acadêmica e profissionalmente à UFSC, eu me envergonho profundamente. E compartilho com você este sentimento.

“Vianney, você está é maluco”, é o que você deve estar pensando. E, refletindo ao mesmo tempo: “Onde já se viu isso, você deve estar errado. Será mesmo que a UFSC parou antes de reagir?”

A sua dúvida procede, e é mesmo legitima. Afinal, em praticamente todo o mundo as instituições que em seus países fazem parte das top 10 não pararam por mais que uma ou duas semanas para se reorganizar e voltar com aulas e atividades online.

IV – As melhores do mundo fizeram a Migração Digital

Nos Estados Unidos, por exemplo, Harvard, MIT e Stanford, a “tríplice coroa” da qualidade no ensino mundial, seguiram funcionando online. As melhores do mundo, sim, fizeram a Migração Digital.

Em Stanford, por exemplo, o sistema de apoio aos professores para dar aulas online entrou no ar em uma semana: https://teachanywhere.stanford.edu/ inclusive com um paper aberto às demais universidades sobre como fazer a transposição didática do presencial para o mundo digital https://vptl.stanford.edu/news-events/news/scpd-creates-guide-transitioning-courses-online

Da mesma forma fizeram a transposição didática da Migração Digital as universidades estaduais norte-americanas com alunos na casa das centenas de milhar, como a Califórnia State University, que tem 480 mil membros na comunidade, e que também se resolveram para o ensino online.

V – É proibido proibir a difusão do conhecimento

O mais grave por aqui é que a UFSC não apenas parou. Ela “mandou parar”. Uma regra institucional de tábula rasa, sem ao menos permitir que se desse continuidade onde fosse possível ao processo de ensino-aprendizagem online.

Muitos professores, cursos e departamentos inteiros teriam dado continuidade com pouco esforço, em menos de uma semana para dar seguimento. As ferramentas estão disponíveis de maneira gratuita pelo Google e outros players globais sendo que a todos eles a UFSC têm franco acesso. Mas, “é proibido” ensinar e aprender. Se você está estranhando, imagina eu!

Pois digo a você que está lendo este meu desabafo que eu também custei a crer. Precisei fazer o teste de São Tomé, e tive que ver para crer que o impossível às vezes acontece. Sim, a reitoria da UFSC vem publicando e republicando desde a paralisação das aulas presenciais 16 de março de 2020 vem sendo republicada uma portaria determinando expressamente a suspensão das atividades de ensino em todos os níveis e modalidades, em todas as unidades da Universidade Federal de Santa Catarina (Portaria 359/2020, artigo 1º). Você não leu errado. É a transcrição literal.

No MIT, em Harvard, em Oxford, em Stanford, ou no Trinity College os professores com prêmio Nobel no peito podem dar aulas online para seus alunos em disciplinas desde Teoria Literária, Teoria Geral da Administração, História da Filosofia, Mecânica dos Fluídos, as teorias de Einstein, de Engenharia Naval, ou da Engenharia Aeroespacial que colocou mais dois astronautas em órbita nesta semana, fazendo o foguete da primeira etapa de impulsão voltar e pousar disciplinadamente.

Mas, aqui na UFSC, não pode. A Ordem é não fazer. A Ordem é de não ousar. A Ordem parece ser uma espécie de “fica quieto e não reclama”, como um recado subliminar para colocar freio às iniciativas individuais ou e departamentos que se apresentassem de pronto para dar continuidade ao ano letivo.

Ah, mas têm aulas de Anatomia, que não dá para migrar para o online!

– Mas, será que precisa mesmo “parar tudo”? A Medicina da USP, por exemplo, não parou. O próprio Ministério da Educação foi obrigado a se dobrar à realidade a tal ponto que teve que retirar uma proibição precipitada que tinha colocado com impedimentos em excesso para a continuidade das turmas de Medicina.

Ah, mas tem atividades práticas, de aplicação e imersão em laboratórios ou ambientes reais que não dá para migrar para o online!

– Sim, e estas atividades estão nas exceções em relação ao volume total da operação, e como tais devem ser tratadas.

Agora mesmo no Rio Grande do Sul, no Paraná, e em Goiás, as universidades estão atuando com as prefeituras e secretarias de saúde para definir as condições de segurança sanitária para realização de estágios, internatos de clínicas médicas, atividades para alunos de odontologia, e similares. Mas, os alunos e professores seguiram com as demais atividades de aprendizagem. E, agora, vão às práticas necessárias.

VI – Que saudades da UFSC em ação

Parafraseando o grande poeta Casimiro de Abreu, a cada vez que passo ao lado do meu amado Campus da UFSC, no bairro do Pantanal, onde estudei e trabalhei, eu recito:

  • Ai que saudades que eu tenho / dos meus desafios queridos. / Ai que saudades que tenho / da UFSC em rota empedernida

 Não cheguei a trabalhar com os professores pioneiros na construção do DNA da UFSC. Caspar Stemmer, Arno Blass, José Espíndola, Teodoro Vahl, Luiz Scheibe e outros tantos que honraram aquela universidade, eu os respeito pelo legado.

Mas, tive a honra de estar ali como membro da comunidade ampla da UFSC durante os mandatos dos reitores Rodolfo Pinto da Luz, Diomário Queiroz, Lúcio Botelho, Álvaro Prata e Cao Cancelier (in memorian).

Que saudade de ter ao lado de qualquer um destes reitores um problema como este de agora, para atender aos alunos durante o Covid-19. Todos eles teriam chamado uma reunião de urgência do Conselho Universitário, e a pauta com perguntas de partida seria assim:

1-     Quantos dias precisamos de planejamento e providências para dar continuidade ao semestre utilizando as tecnologias digitais para conectar alunos e professores?

2-     O que falta para o Centro de Processamento de Dados garantir a infraestrutura necessária?

3-     Qual laboratório, curso ou departamento pode montar um plano emergencial de orientação, treinamento e suporte para os professores que ainda não souberem como lidar com as novas ferramentas e a didática para o meio digital?

4-     Quais os recursos de simulação são necessários além das aulas conectadas ou atividades online? Se não os temos, com quem podemos fazer alianças nacionais e internacionais para fazer uso compartilhado com os melhores laboratórios de simulação do mundo?

5-     Quantos e quais são os alunos e professores que teriam dificuldade de acesso às novas tecnologias, e o que precisamos fazer para dar a eles os equipamentos e o apoio necessário?

6-     E, excepcionalmente, quais seriam exceções para as quais não poderíamos dar continuidade online por enquanto, e o que fazer para superar a dificuldade?

E, ao final da reunião do Conselho, antecipando-se aos relatórios que viriam nos próximos dias, o reitor já estaria em contato com as secretarias de educação do Estado e dos municípios onde a UFSC se faz presente, colocando-se à disposição para ajudar no que fosse preciso para que os alunos das escolas públicas a descoberto não ficassem.

No dia seguinte, ao receber o relatório com a lista de alunos ou professores ainda sem disponibilidade de equipamentos ou acesso por banda larga, no mesmo dia a reitoria dispararia cinco ou seis telefonemas para os representantes da Apple, Samsung, Motorola, Microsoft e quem mais precisasse.

Eu consigo ver, agora na minha mente, a imagem dos ex-reitores com uma lista de nomes de empresas sobre a mesa, e ligando de uma por uma, e dizendo “Precisamos de dois ou três mil smartphones para nossos alunos e professores que ainda não têm dispositivos atualizados para oferecer ou acompanhar aulas online”.

E, todos estes ex-reitores diriam aos interlocutores, com inteligência negocial, antes que o “não” viesse do outro lado: “Pode ser o modelo do ano passado mesmo, ou do ano atrasado, não tem problema, desde que dê conta do recado”.

E fariam o mesmo movimento com as operadoras de telefonia para garantir o pacote de dados e até mesmo um link de internet via rádio ou por satélite para uma aldeia indígena ou comunidade isolada. E conseguiriam tudo, em um par de dias, no máximo uma ou duas semanas para situações extremas.

E, tenho certeza, se todos os equipamentos e planos de banda larga ou conexões especiais não conseguissem, iriam os reitores aos portais da Web, às emissoras de rádio e de TV conclamar ex-alunos e as empresas dos ex-alunos para fazerem doações e fazer a roda girar.

Ai que saudades que eu tenho / da minha UFSC querida. / Que no meio do desafio / não se encontrava perdida!

Trabalhei cinco anos coordenando o Laboratório de Ensino a Distância da UFSC (1995-1999). As portas do mundo da tecnologia sempre se abrem de imediato a um pleito legítimo da Universidade Federal de Santa Catarina. É fato.

Vinte anos e mais se foram desde que deixei a coordenação do LED-UFSC. Mas, apenas por esta passagem, e por ter feito especialização, mestrado e doutorado na UFSC, ainda percebo por todo o país o quanto de consideração me devotam por ter feito parte da comunidade universitária da Federal de Santa Catarina.

VII – A ninguém se concede o direito de obscurecer a UFSC

A marca UFSC é como se fosse um manto protetor de referência, de qualidade, que abriga e paira por sobre seus professores, alunos e colaboradores, por toda a vida.

Este manto poderia – e ainda pode – ser utilizado agora em 2020 para agilizar providências e soluções para a Universidade voltar a operar e atender seus alunos em conexão digital. Como pode a líder, historicamente na dianteira, terminar na rabeira?

A UFSC foi a universidade pública pioneira em uso da internet na educação. Em 1996 já produzia atividades e cursos online, tendo criado o primeiro Ambiente Virtual de Aprendizagem do país.

Em 1997 foi a primeira universidade do país a dar aulas de pós-graduação a distância por videoconferência, com alunos em salas espalhadas pelo país todo, inclusive plataformas marítimas, e que participavam ao vivo e simultaneamente de aulas geradas no campus de Florianópolis. Parecia impossível, e a UFSC fez.

Lembro das lágrimas nos olhos do orgulho do professor Rodolfo Pinto da Luz quando o MIT veio à UFSC aprender como fazer videoconferência multiponto para dar aulas online, ao vivo, com interação de ida e volta, do campus em Cambridge (Massachusetts) para engenheiros em Cingapura. Ninguém nunca tinha feito antes da UFSC.

A UFSC foi a primeira universidade brasileira a criar um curso superior totalmente online, pela internet, em 1998, e com tecnologia própria. Liderou no país a produção e oferta combinada de cursos utilizando a internet, materiais multimídia e transmissões via satélite, para todo o território nacional.

O tapete vermelho da Informática se estende à UFSC por ter desenvolvido no Laboratório Stella desde o conceito e o desenvolvimento da Plataforma Lattes do CNPq. Foi a primeira instituição a dar e-mail com o dna ufsc.br a todos os alunos, e tem a liderança mundial da primeira tese em html, sem contar que lidera a base de teses e dissertações sobre EaD no país.

É inadmissível agora, em 2020, a UFSC vir a público e dizer “que não pode” dar aulas online para seus alunos dos cursos de graduação? Eu não me conformo. Isto me revolta.

E, ainda por cima, esta atitude de paralisia remunerada ainda dá munição para virar discurso canhestro contra a própria Universidade Pública brasileira, detratada e destratada pelos inimigos do conhecimento que estão no poder, em uma gestão obscurantista à frente do Ministério da Educação.

Reage, UFSC!

A UFSC está diante de uma escolha: mostrar aos líderes obscurantistas que a universidade pública é vital para apontar caminhos para o futuro, ou virar mais um alvo da milícia bolsonarista como um ícone de lentidão a ser desmantelado por vorazes privatistas.

A tradição da educação na história da humanidade é a busca da liberdade; A busca da autonomia para ensinar, para pesquisar, para investigar e para distribuir o conhecimento. Sócrates ensinava a partir da dúvida, buscava encontrar a essência, a verdade qual fosse ela – ainda que transitória, e defendia o direito de propagá-la. Por isso foi condenado à morte e tomar veneno. Morreu altivo, não se rendeu.

Na longa Idade Média os mosteiros foram o refúgio do conhecimento que durante séculos o preservaram para a explosão a partir do Renascimento. As universidades primeiras ao longo da história bateram-se pelo direito de ensinar. Não se tem registro da universidade que proíbe o ensino em todas as suas formas e modalidades.

O manto de respeito e credibilidade da UFSC foi construído por décadas a fio. É ele que atrai alunos e alunas de todos os quadrantes; é ele que atrai projetos das melhores e mais avançadas empresas do mundo. Mas, este manto está se esgarçando.

Os atuais dirigentes não têm esse direito à destruição. Não conheço o reitor. Não conheço a vice-reitora. Não sei quem são os membros do Conselho Universitário. Mas, vocês dirigentes da UFSC não têm esse direito de negar aos alunos e à sociedade a trilha do conhecimento.

Eu peço à UFSC que volte. Todos nós, ex-alunos, ex-funcionários, ex-professores, e toda a atual comunidade devemos este retorno de atividades à sociedade brasileira. Não podemos ficar neste mau exemplo de agora.

Reage, UFSC!

João Vianney

 

[1] Doutor em Ciências Humanas; Mestre em Sociologia Política; e Especialista em Psicologia da Comunicação pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenador do Laboratório de Ensino a Distância da UFSC (1995-1999); Diretor do Campus Unisul Virtual (2001-2009). Diretor de EaD do IESB (2009-2010). Membro da Hoper Educação (desde 2011). Diretor da Rede Enem (desde 2013). Apaixonado pela UFSC (desde sempre). Membro-Conselheiro da ABED.

 

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